22 fevereiro 2011

REFORMA POLÍTICA

Há poucos dias acompanhei uma manifestação do ex-governador, Dr. Luiz Henrique da Silveira, em que sua excelência pregava por uma reforma política que contemplasse eleições gerais a cada cinco anos e fim da reeleição, o que de certa forma me alegrou; pouco, mas alegrou...

Já faz algum tempo que venho observando o comportamento de políticos que – de maneira geral – depois que são picados pela mosca azul da primeira eleição, passam a trabalhar – ao invés de para o povo – apenas para a sua própria e futura reeleição. Ou seja, governadores e presidentes de hoje já iniciam seus mandatos com o foco naqueles que poderão futuramente ser eleitos para prefeitos e veradores do ano seguinte ao primeiro dia da sua posse.

Por sua vez, esses prefeitos e vereadores que serão por eles apoiados serão aqueles que – ao menos em tese – “farão” os próximos governadores, deputados, senadores e presidentes da república. Traduzindo, o político de carreira favorece um círculo vicioso para a política de conchavos, que ao menos nos dias atuais não tem hora para acabar.

Na outra ponta dessa reforma deverão estar os senadores que, com seus desarrazoados mandatos de oito anos, não fazem nada de diferente do que fazem os seus colegas deputados, que possuem mandatos de apenas quatro anos. Injustiça com o mandado do deputado? Não. É privilégio e tempo demais para o mandato de um senador.

Se por um lado é certo que o tempo de se fazer uma reforma política já se atrasa há muito, por outro o assunto se enquadra tranquilamente como uma espécie de PRIORIDADE ZERO, para as atuais legislaturas, que já sentem a pressão vinda da população brasileira mais esclarecida e formadora de opinião.

Sabemos que eleições gerais a cada 04 anos – e não cinco como a proposta defendida por alguns - inclusive para senador, sem a possibilidade de reeleição para o mesmo cargo, ainda é um sonho para quem estuda e bem conhece as mazelas da administração pública; uma utopia como diriam muitos.

Tudo indica que se esse sonho um dia for realizado, poderão aí os representantes do executivo e do legislativo trabalharem com um pouco mais de responsabilidade e zelo para com os interesses do povo, pois que deverão esta “mais focados” na função pública para a qual foram eleitos.
A reforma política também terá que vir acompanhada por uma reforma administrativa séria e moralizadora, com foco na eliminação dos apadrinhamentos políticos na administração e na gradual eliminação do maior número possível de cargos e em comissão. Mas esse é um outro que por enquanto é só do povo; para o político, será o maior dos pesadelos...